A Rita foi-se embora, e eu não lhe fui dizer adeus. Há coisas que nunca perdoarei a mim próprio, e esta é uma delas. Ela não foi uma amiga, naquela forma de amizade tão individual e exclusiva que se torna descontextualizável e nos segue para sempre. Foi antes uma presença cujo magnetismo rouco e estouvado impregnou profundamente um período formidável da minha vida. Para mim a Rita é a rainha das décadées, cuja corte frequentei assiduamente. É a líder que reconquistou a RAG quando dezenas de estudantes portugueses estavam sans domicile fixe na Cité U. É a flatmate quezilenta e adorável - conforme a hora do dia - com quem partilhei uns meses na paz dos anjos de Meudon-Bellevue… Juntos cozinhámos, bebemos, conspirámos. E a certa altura - a vida tem destas coisas - desligámo-nos. Agora perdi-a, perdemo-la. E toda uma parte da minha vida começa a esvanecer-se. Não. Há coisas que nunca perdoarei a mim próprio, e não lhe ter dito adeus é uma delas.
19 Setembro, 2008Posted by vascocampilho
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