a morte chega em névoa com as chuvas de outono,
molha-nos a face como se chorassemos,
penetra-nos no medo como se fosse um hábito onde não há sentir.
a morte é o insulto oblíquo que nos leva assim a rita.
que desde dezembro se debateu com o cancro,
com a dor,
com a progressão fulminante de tudo aquilo que apenas podemos
imaginar ter sentido.
que desde dezembro transformou a passagem dos dias num
entrelaçar de vida, de alegria, de humor (como tão bem a
descreveram quando nos despedimos) e luta,
com o acreditar sem cedências.
sim, acreditar, fazer tudo para.
para o que não chega.
para o que nos foge por entre os dedos como areia na mão que a
cada dia, cada um de nós, apertou com a rita, mais ou menos longe.
e é essa a coragem que nos fica, a força que sabiamente nos
ofereceu,
com a persistência a que nos habituou.
ficamos assim de coração apertado,
sem palavras,
sem movimento possível.
e hoje despedimo-nos da rita,
inconsoláveis,
entre a névoa dentro, a névoa fora,
e os raios do sol a segredarem a força, a coragem,
a alegria que guardaremos do seu sorriso, do sol dos seus olhos.
fica um abraço a tod@s os que acompanharam.
a tod@s os que há pouco souberam.
a tod@s a quem a rita fará tanta falta.
18 de Setembro de 2008
Posted by margem at 15:26
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Há 17 anos
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